Diante deste atual cenário, conversamos com o professor Antônio Jorge Martins, da FGV-SP, para analisar e entender o futuro do mercado

No último mês, algumas montadoras como Volkswagen, Hyundai, GM e
Stellantis, anunciaram a paralisação da produção de veículos e concederam
férias coletivas em algumas de suas fábricas. Os motivos vão desde a falta de
equipamentos até a alta dos juros e da inflação. Mas afinal, qual seriam os
reflexos desta situação para o aftermarket? E o que esperar do mercado?
Em entrevista exclusiva à Rede PitStop, o professor e coordenador
dos cursos automotivos da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Antônio Jorge
Martins, analisa a situação e apresenta sua visão para os próximos meses.
Confira!
Rede PitStop: O que podemos entender sobre o atual
cenário para as montadoras?
Antônio Jorge Martins: Hoje, na realidade, as montadoras
estão vivendo uma situação que vem acontecendo desde a pandemia do Covid-19. Com
o aumento de preços dos equipamentos, houve oneração nos custos das montadoras,
que tiveram que elevar seus valores. Isso num cenário onde a sociedade não teve
aumento de renda nas mesmas proporções, causando um gap entre os preços
praticados e o poder de compra das pessoas.
RP: Qual a
sua análise sobre o reflexo para o aftermarket, considerando uma
possível valorização das vendas de seminovos e usados?
AJM: Se comparado
ao ano passado, não vejo uma evolução tão forte na venda de seminovos. Em 2021
tivemos um aumento contínuo dos preços, acompanhando a demanda. Neste ano, em
particular, não visualizo as paralisações em espaço de tempo muito longo, o que
acaba não trazendo benefícios muito significativos. Mas a previsão de que as
montadoras se adequarão para vender veículos zero sob demanda, com condições
mais favoráveis, pode não se aplicar a todas, e aí, então, pode acontecer de
beneficiar mais a venda de usados e seminovos e, consequentemente, trazer algum
impacto sobre o aftermarket.
RP: Como
você analisa os negócios para as montadoras neste ano?
AJM: Não há
alternativa senão adequar o nível de produção ao novo patamar de demanda. Essas
paralisações acontecem para evitar estoque ainda maior do que as montadoras
estão tendo, e hoje existe uma estratégia de, cada vez mais, aumentarem o grau
de competitividade, fazendo com que o custo do estoque seja desnecessário. Por
isso, cada vez mais, as empresas mundiais têm produzido sob encomenda,
eliminando o custo do estoque. Para este ano, vejo a previsão de manter esta
ideia, aplicando este valor poupado em coisas melhores, em termo automotivo,
usando o investimento em partes fundamentais.
Fonte: Rede PitStop