Paula Skoretzky, do projeto Mulheres na Reparação, compartilha sua visão sobre o crescimento da presença feminina no setor
Dizer que o mercado automotivo é um meio predominantemente masculino está longe de ser uma novidade. Mas, ao que tudo indica, o cenário já começou a mudar. Pouco a pouco, as mulheres conquistam mais espaço e se juntam às outras para fortalecer a presença feminina no setor.
Para entender melhor essa tendência, conversamos com Paula Skoretzky, uma das integrantes do comitê gestor do projeto Mulheres na Reparação, iniciativa do Sebrae que analisa, capacita e apoia as oficinas mecânicas administradas por mulheres.
Apaixonada pelo segmento no qual trabalha há 29 anos, Paula já atuou em diversas frentes do setor, desde seu primeiro emprego em uma loja de automóveis, passando pelo desenvolvimento de manuais de oficinas e treinamento técnico para mecânicos de concessionárias, até chegar onde está hoje, no comando de uma assessoria de imprensa especializada.
Veja abaixo os melhores momentos da entrevista que ela concedeu com exclusividade à Rede PitStop.
Rede PitStop: Por que é importante fortalecer a presença feminina nesse segmento como um todo?
Paula Skoretzky: As mulheres estão cada vez mais ocupando espaços antes essencialmente masculinos porque acredito que finalmente estão conseguindo provar (e é uma pena ter que dizer que estamos “provando”) que não existe diferença de gênero quando falamos em conhecimento, competência, aptidão e dedicação. Assim como homens podem ser grandes chefs de cozinha, por exemplo, por que não podemos ter grandes mulheres mecânicas abrindo motores e diagnosticando defeitos? Ou como CEOs de grandes montadoras? Já estamos, felizmente, vivendo essa realidade. A mentalidade vem mudando lentamente, mas já há grandes movimentos para que isso possa ser acelerado e finalmente possamos sair da frase de efeito para a realidade de que “mulher pode ser o que ela quiser”.
Quais os maiores preconceitos com relação às mulheres no setor e por que eles não passam de mitos?
Acredito que os maiores preconceitos (e dúvidas!) estejam diretamente ligados a conhecimento, e é ainda mais acirrado lá, próximo do chão de oficina mesmo, do pátio, onde a mágica da reparação acontece. E eles não vêm somente do nosso setor, não. Tem muito homem e muitas mulheres também (pasme com isso!) que não acreditam que uma mulher possa ser mecânica, ter conhecimento e competência para diagnosticar e consertar um carro. É muito triste saber que ainda existem mulheres que duvidam da competência de outras. Acho que não existe especialidade mais carente do gênero feminino. Mulher que entra para o ramo automotivo, geralmente entra porque se identifica com o setor. Diferente de muitos homens que entram no segmento por “precisar” de uma profissão, as mulheres geralmente entram por opção, porque gostam do mundo automotivo.
Na sua opinião, esses preconceitos estão diminuindo?
Sim! Vejo oficinas recrutando moças e mulheres não mais apenas para o administrativo ou para a recepção, mas para estar ali, diagnosticando, consertando, explicando para o cliente o defeito e fazendo a entrega do veículo. Ainda existem resistências, sim. Isso é cultural e, do dia para a noite, não vamos conseguir virar essa chave nas pessoas. Mas vejo mulheres cada vez mais tendo chances de se capacitar, de se posicionar e principalmente participar de eventos e do dia a dia das oficinas, sendo respeitadas e acolhidas. E que bom que isso está acontecendo! É um movimento lento e gradativo, mas com certeza, sem volta.
Fonte: Rede PitStop