A Rede PitStop entrevistou a idealizadora de um importante estudo de comportamento sobre consumo de pessoas entre 12 a 25 anos de idade

Entender os desejos das novas gerações é um dos maiores segredos para
garantir vida longa aos negócios. E, normalmente, ao refletir sobre mobilidade,
é comum acreditar que os jovens são mais desapegados e não querem possuir um
carro para chamar de seu.
Mas, na contramão do que se tem propagado por aí, o levantamento “Movimentos
Geracionais”, feito em 2022 pela HSR Specialist Researchers, desmistificou uma
série de crenças sobre a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010). Segundo o
estudo, 95% dos entrevistados responderam que querem ter um carro próprio, sim.
Para ajudar os varejistas de autopeças a entenderem esse nicho, a Rede
PitStop entrevistou Karina Milaré, idealizadora do estudo e diretora da HSR.
Veja abaixo!
Mesmo com
o crescimento de outras tendências de mobilidade, por que a maioria dos jovens
da Geração Z ainda quer ter um carro próprio?
No
Brasil, acho que há dois pontos. Ter um carro, mesmo para os jovens, ainda é um
marcador social, o símbolo de algo que eu conquistei. Além disso, um aspecto
muito prático é que o transporte público no Brasil ainda é ruim. Nas grandes
metrópoles, de certa forma, ele atende. Mas quando você vai para outros lugares,
é praticamente inexistente ou tem uma cobertura muito pequena. Isso acaba
tornando o carro, para os jovens principalmente, um símbolo de liberdade. É com
o carro que eu posso fazer as coisas que eu quero e gosto, porque se eu
depender de outro tipo de transporte, eu não vou ter essa alternativa.
Pessoas nessa faixa etária também preferem consumir
marcas com propósito e causa. O que as lojas de autopeças precisam saber?
Essa questão da escolha de marcas com
propósito já deixou de ser tendência e se torna cada vez mais relevante e
significativa. As lojas de autopeças devem entender que, quando falamos sobre
propósito, passamos por vertentes como sustentabilidade, questões climáticas, ambientais
e inclusão de diversas minorias. E dentro dessas macroquestões há um mundo. Propósitos
que têm a ver com o segmento passam por questão de reaproveitamento de resíduos
e mobilidade urbana. As lojas podem realmente trabalhar nesse sentido. Esse
é um segmento que precisa se ressignificar, diminuir a emissão de resíduos no
meio ambiente, usar peças reaproveitadas, enfim, precisa olhar para esse
propósito de uma maneira mais concreta e com menos discurso.
Fonte: Rede PitStop